Advento.

Introdução:

O Advento pertence a um dos tempos litúrgicos da Igreja Católica, pertence ao ciclo do Natal. O tempo do Advento nos convida a um tempo de preparação, uma preparação para o que vai chegar, porque a palavra Advento vem do Latim "advenire". Esse tempo é um tempo de espera, mas não uma espera qualquer, mas espera daquele que vai transformar todas as coisas.

Foi algo tão grandioso que não coube no tempo e espaço, e ainda hoje é trazida a memória, não como um repetição de um acontecimento, mas um gesto contínuo.

Entendemos como advento, e a liturgia nos convida a isto, ou seja, nos conduz a celebrar as duas vindas de Jesus, o Cristo de Deus, ou seja, o Natal e a Parusia. No natal, em que celebramos a primeira manifestação de Deus pela qual foi experimentada a mais ou menos dois mil anos atrás, com o nascimento de Jesus, e na segunda, a tão esperada manifestação no final dos tempos, quando o Cristo de Deus vier em sua Glória.

Informações:

O Advento foi formado dentro da Igreja a partir do século IV, sendo celebrado na Gália e na Espanha. A festa do natal surgiu em Roma que passou a celebrá-lo somente no final do século VI. A Igreja via nesse sinal, na festa de natal, o início do mistério pascal. Era interessante prepará-lo também como se preparava a Páscoa. No primeiro momento o Advento consistia em seis semanas que antecedia a celebração do natal. Mas, no século VI com São Gregório, passou-se a utilizar apenas quatro domingos, do jeito que celebramos nos dias atuais.

Convite:

Ele está próximo de cada um de nós.

Alegremo-nos! Vamos ao encontro do "Maravilhoso Conselheiro, do Príncipe da Paz" (Is 9,5), do Redentor que se aproxima.

Estão-se completando os dias (cf. Lc 2,6) daquele bendito e santo Nascimento que reviveremos nos mistérios da Noite Santa do Natal. Torne-se nossa vigilância mais intensa e nossa oração mais confiante.

Todos os anos somos convidados a resgatar o sentido pleno do Natal de Jesus, para vivê-lo como cristãos e cristãs, fugindo à mentalidade cada vez mais paganizada de nossa época. 

Não obstante a mentalidade semi-paganizada do Natal, a festa da Criança de Belém é um dom de luz que rasga e rompe as trevas da humanidade, prisioneira do pecado, incapaz de amar. O Natal do Senhor abre-nos a uma incontida alegria, de que ninguém sai ileso. A liturgia cristã é significado de festa, porque "Deus está conosco". Onde há vida, há alegria. A alegria causada pela vinda do Salvador é portadora de paz e de esperança.

Por isso, vamos às pressas a Belém para ver o recém-nascido deitado na manjedoura (cf. Lc 2,15-16). Não fiquemos trancados em casa, prisioneiros de nossas trevas e negativismos. Vamos! Guiados pela Estrela, vamos com o coração alegre e feliz! Lá há uma Luz resplandecente que nos faz transcender o que vemos com os olhos da carne. Sim, os olhos da mente abrem os caminhos do coração, que permitem apreender e acolher a Verdade que nos liberta de todo mal. A Luz de Belém empenhar-nos-á em viver na liberdade e na dignidade de filhos e filhas de Deus. Fará com que abandonemos a noite do pecado, abrindo-nos para a graça da Vida nova, iluminados pela "Luz verdadeira, que vindo ao mundo, a todos ilumina" (Jo 1,9). A alegria completa nasce da Luz que resplandece num coração transparente, que não teme a escuridão da falsidade. Trata-se da embriaguez do Espírito que regenera e renova, trazendo paz e serenidade ao coração humano.

Estamos bem próximos da chegada do Deus Menino. Ninguém falte ao encontro marcado com Ele. A incomensurável distância percorrida por Deus para chegar até nós é razão suficiente para corrermos ao Seu encontro e sentirmos "que coisa é o ser humano, para dele te lembrares e o visitares" (Sl 8,5).

Na proximidade do Natal, não há motivo para angústias e temores. Fazendo espaço para Jesus nascer, o Natal será ocasião única para um encontro vivo, amigo e pessoal com Ele. Acolhamos Jesus Cristo, "concebido por obra do Espírito Santo, nascido da Virgem Maria". Acolher o Filho de Maria significa mostrá-Lo vivo transparente em nós, visibilizando em nosso jeito de ser a Sua amabilidade, a Sua ternura, a Sua bondade e o Seu amor.

O Advento é tempo de oração da Igreja, que ora e suplica para que Cristo seja conhecido entre todos os povos, seja sinal de esperança e sinal de salvação para todos num mundo marcado por guerras, violências, divisões, incredulidades, soberba, auto-suficiência. O Advento é um tempo de espiritualidade que deve nos comprometer na tarefa pela construção de "novos céus e novas terras".  

Os profetas do Advento:

A vivência da espera em Isaías.

As leituras do tempo do Advento nos remetem também ao profeta Isaías. O profeta Isaías é por excelência o profeta da "espera", Ele relata a proximidade, como também de onde virá. Ele virá para a libertação, é o absoluto de Deus.

Encontramos em Isaías o relato do esplendor, que será o Reino de Deus, Reino esse que será inaugurado com a vinda do Príncipe da Paz e da Justiça. Toda essa condução e certeza esbarra na ação do Espírito Santo de Deus que faz o anúncio.  Pelos relatos de Isaías, certamente todos já desde aquele tempo (séc. VIII a. C) começariam a amar Aquele que haveria de vir.

Isaías viveu em uma época de prosperidade e de esplendor, nem por isso deixou de cumprir sua missão, de anunciar a ruína que estaria por vir pela negligência do povo. Ele pode ser considerado como um mensageiro terrível que vai anunciando catástrofe sobre o povo de Israel, mas que vai apontando também o Salvador, o último sopro de vida para Israel antigo e para o novo Israel.

Isaías vai se tornando em seu tempo o anunciador da Parusia, diz ele em (Is.2,1-17), que esse dia será o dia do juízo. Mas também há conforto em suas palavras, assim como nas de João, e de certa forma em São Paulo, que vai nos comunicando que essa vinda traz consigo a "justiça" e a "Paz".

Vemos nesses textos que há uma necessidade urgente de uma compreensão das leituras para que possamos viver plenamente esse tempo. Vemos que os textos vão nos relatar um duplo sentido, pois, o primeiro domingo do Advento nos remete ao entendimento sobre o "fim do mundo" e a "Parusia". Essa dupla realidade significa um mesmo e único acontecimento.

A preparação do caminho com João Batista:

O arrependimento imediato.

Vemos em João Batista toda a preparação do caminho para Aquele que vai chegar, a essa altura da pregação de João, falamos do ministério de Jesus. Vamos logo percebendo algo de grandioso no nome daquele que faz o anuncio, ou seja, João que significa "Javé é favorável", percebemos que todo pensamento, todo o sonho, toda a espera que se fazia diante do anúncio agora é concreto. Com a entrada em cena de João Batista, Deus vai se revelando no modo do antigo testamento, em que se revelava na sarça ardente, que fazia ao contrário do pensamento humano, na escolha de Davi, na escolha de Abraão que vivia em uma família de idolatras, que utilizou várias mulheres estéreis para dar a luz, para que nascessem aqueles que deveriam cumprir a vontade de Deus. Lucas vai narrando que sua chegada não passaria despercebida e que haveria alegria (Lc. 1,14), e que ele seria diferente dos outros, como fora anunciado no livro dos números (Nm. 1,61), seu nome também, vai mostrando-nos que toda a escolha procede do Senhor e é Ele quem dirige e governa todas as coisas.

O papel de João neste momento da história é de muita grandeza, porque ele vai preparando os caminhos do Senhor, e vai dando ao povo o conhecimento da salvação, pois todo o Israel ansiava por esse momento. A salvação era também a promessa da remissão de todos os pecados, para os arrependidos. João é quem vai revelá-lo, é quem vai apontá-lo para a multidão, é quem vai mostrar para toda a humanidade o rosto de Deus (Jo. 1,29). E, com efeito, vai nos mostrar a grandeza da ternura de Deus para com o homem, pois, ele havia entendido o que estava escrito em Isaías "que vai carregar sobre si, todos os pecados". Ao apresentá-lo para o mundo ele diz "eis o cordeiro de Deus". Nesse momento vemos toda a humildade e grandeza de João Batista, "é preciso que Ele cresça e que eu diminua" (Jo. 3,30).

A igreja lembra sempre de João, quando fala do Advento, pois o precursor de Jesus está intimamente ligado a vinda de Jesus e a Sua obra. Seu exemplo deve permanecer constantemente diante dos olhos da Igreja, e de cada um de nós. Percebemos que todos juntos temos como missão preparar os caminhos do Senhor, anunciar a Boa Notícia. Mas recebê-la exige a conversão. Entrar em contato com Cristo supõe o desprendimento de si mesmo. Sem esta ascese, Cristo pode estar no meio de nós sem ser reconhecido (Jo l, 26).  Devemos assim como João, entrar-mos em nosso deserto interior, e deixarmos ser guiados pela luz, que vai nos iluminando em cada passo.

A Virgem Maria:

Uma figura da esperança. (A ser continuado)


 

domingo 14 novembro 2010 12:09 , em Catequese:


Os irmãos de Jesus Cristo.

Vemos hoje muitas incertezas a respeito dos irmãos de Jesus, e por consequência os filhos de Maria mãe de Jesus. Quando escutamos essas perguntas, para quem não tem intimidade com as sagradas escrituras, geram mesmo uma certa dúvida. Será que Jesus teve mesmo irmãos? Os mais apressados, e aqueles que defendem suas doutrinas, recorrem logo ao texto mais comprometedor, ou seja, Mt. 13.55 "não é este o filho do carpinteiro? Não é Maria sua mãe? Não são seus irmãos, Tiago, José, Simão e Judas? E suas irmãs, não vivem todas entre nós?(...)". Pois bem, esse texto lido fora de todo o contexto Judaico, traz uma certa confusão, principalmente quanto aos nomes, e não pode ser avaliado da maneira que se encontra relatado. Os argumentos são variados por parte de todos aqueles que querem de alguma forma utilizá-lo, para o seu interesse.

Vamos analisar de uma forma mais abrangente: Nos textos antigos temos muitos exemplos para o uso do termo irmão, substituindo a palavra primo, primos, prima ou primas. Se lermos em Gn. 29,15 "Então Labão disse a Jacó, por seres meu irmão...", lendo do jeito que encontra-se narrado entenderemos que Labão e Jacó são de fato irmãos. Agora se lermos Gn. 29,5 e Gn. 25,21-26 veremos que ambos são parentes. Em Gn 13,8 Abraão diz a Ló que eles eram irmãos, mas Ló é de fato seu sobrinho. No antigo testamento são mais de 20 passagens que vão nos dando noção de que, a palavra irmão era mesmo designada a parentes muito próximos ou até a clãs.  Vejamos agora outras passagens bíblicas como por exemplo, os discípulos de Emaús, Lc. 24,13 vai dizendo sobre dois discípulos, quem eram?  Um deles era chamado Cleofas no versículo 18, porém quando chegam ao seu destino, eles pedem para que o "viajante" ficasse com "eles" pois era tarde. Então todos entram, bem sabemos que era noite e que os dois discípulos entraram na mesma casa, ou seja, eram mesmo marido e mulher, vejamos em João 19,25, ao pé da cruz esta "Maria" mulher de Cleofas, que é a irmã de Maria mãe de Jesus, então tia e tio de Jesus. Em outros textos encontramos os seus filhos, Mt. 27,56; 10,3 - Mc. 15,40 e Lc. 6,15, porém aparecem em algumas versões bíblicas, o nome Alfeu sendo seu pai, mas em outras aparecem o nome Cleofas, Lc. 24,18 e Jo. 19,25. O que precisamos entender é que, os nomes utilizados algumas vezes aparecem em Aramaico, Hebraico e Grego, por tanto, em Aramaico o nome é Claphai, em Hebraico é Alfeu e em Grego Kleophas, mas todos falam da mesma pessoa. E, Jesus vai dando a entender a todos quem são de fato os seus irmãos, irmãs e mãe, Mt. 12,49 - Mc. 3,34 - Lc. 8,21.

Paulo Costa 

 

 

quarta 13 outubro 2010 15:33 , em Catequese:


Doutrinas e suas heresias.

A necessidade de dar sentido a sua vida e o mundo que o cerqueava, como também o medo do desconhecido, o homem foi levado a procurar algo que desse resposta as suas indagações, e dessa forma o homem fundou vários sistemas de crenças, ritos, cerimônias, cultos e etc. O ser humano sempre buscou Deus de uma forma ou de outra. Devido ao afastamento de Deus (verdadeiro) por conta do pecado, o homem sentiu-se só, e como toda solidão gerou-se nele uma saudade. Essa saudade de Deus é a marca que todo homem carrega dentro de si, ou seja, a imagem do seu Criador, essa imagem perdida no homem, gera essa necessidade de dar sentido. E, dar sentido a sua vida sem a experiência diária de Deus e sem a comunhão com Ele, é não encontrar sentido. A religião está para o homem como um elo que vai liga-lo novamente a Deus, e uma vez ligado a Deus tudo passa a ter seu sentido, porque religião vem do latim "religare", que quer dizer religar, religar o que? o Homem ao seu Criador. Êvemero, no século IV a. C. ao estudar as sepulturas paleolíticas considerou já naquele tempo, haver uma crença numa vida depois da morte. Na vida cotidiana desses clãs já percebe-se a pratica de ritos em homenagem aos seus mortos. De uma forma mais elaborada no século XIX, os estudos do antropólogo britânico Edward Burnett deram origem aos conceito de animismo. Burnett sustentou que o homem primitivo a partir da experiência dos sonhos e da respiração, viu que havia algo de superior, que havia um princípio vital imaterial que habitava todos os seres que tinham movimento e vida. Esse fenômeno durou um determinado tempo, quando o homem passou a organizar suas experiências e sua própria existência, o animismo não o satisfez, pois, percebeu que no mundo haviam uma variedade de complexos sistemas, e que ele precisava dar sentido a tudo isso, então passou-se a eleger vários deuses para cada situação. E com isso, gerou-se o "politeísmo" ou seja, a crença em vários deuses. Vejamos alguns conceitos:

Para a ciência Deus é uma causa, para o filósofo, uma hipótese de unidade, para a filosofia uma idéia, para a religião um ser superior dotado de amor e misericórdia, para o cientista uma força necessária, para o religioso, uma experiência viva de um Deus vivo.

Vemos que o homem moderno dá continuidade aquilo que começou na era primitiva, ou seja, continua criando crenças e religiões nos dias de hoje. Por que? Porque, continua tentando encontrar os sentidos de acordo com suas próprias forças e razões. Aquilo que percebemos em nossas realidades a respeito do universo, por exemplo, não pode ser explicado pela matemática, filosofia, lógica e etc. Porque transcende tudo isso, pois, só podemos percebê-la, pela experiência pessoal que vai gerar benfeitorias no coletivo. Nenhuma ciência pode nos demonstrar a personalidade de Deus, precisamos fazer a experiência do Filho pela fé, para que possamos chegar até a verdadeira vontade de Deus para cada um de nós. Os conceitos inadequados feitos pelos homens de todos os tempos, tem afastado o próprio homem de Deus. Seremos aperfeiçoados a medida em que,  durante a nossa peregrinação no tempo finalmente alcançar-mos aquilo que foi perdido, ou seja, a convivência com Deus, lado a lado. E, ai sim andaremos novamente com Ele na brisa da tarde.

Paulo Costa

 

 

 

domingo 10 outubro 2010 06:32 , em Catequese:


Experiência de Deus.

Encontramos hoje com muita facilidade conceitos e reflexões para a religião, reflexões e conceitos esses que vem pela internet, pelos livros, pelas pregações in-loco, em vídeos, nos seus mais variados e diversos formatos. O mundo sempre esteve envolvido nas reflexões teológicas sobre a palavra de Deus, desde o início do cristianismo, mas, poucas são as que tentam dar aos cristãos um bom conteúdo da fé, e fazer com que cada um de nós possa ter uma maior intimidade com a Sagrada Escritura. Estivemos e permanecemos ainda enraizado nas reflexões teóricas, muitas das vezes refletidas e repassadas sem a menor preocupação com a doutrina da Santa Igreja e que quase sempre ficam no plano superior e não descem para o plano pastoral. Temos grandes livros e profissionais que nos levam até cume da teologia, mas que, não se preocupam em avisar que Deus se revela no simples, no cotidiano de cada um e que, os sábios e prudentes deste mundo desconhecem. O mundo religioso hoje se cerqueia de muitas filosofias, conceitos e discursos prontos e baratos, que de tanto serem usados, estão já desgastados pelo tempo. O que precisamos hoje é de experiências de Deus, vividas dentro da realidade humana de cada um, precisamos de orientações para que a mensagem de Deus se faça sempre nova em nossas vidas. Precisamos trocar as palavras pomposas por palavras simples e de fácil analogia, a fim de que sejamos preenchidos por essas palavras simples de um Deus simples. Deus se manifestou sempre de forma simples, naquilo que era fácil para a compreensão humana, na sarça ardente, em sonhos, numa nuvem e etc. Mas Deus tem uma preferência toda especial pelos pequeninos, aqueles que são desprovidos de tantos conhecimentos e que O experimenta no raso da sua vida, “Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, pois revelaste os mistérios do teu reino aos pequeninos, escondendo-os aos doutores! (Mt. 11,25). No começo da relação entre Deus e os homens, Ele fez uso da linguagem simbólica, pois, a partir dessa metodologia, poder-mos-ia captar intuitivamente a essência das mensagens. Ele usou de metáforas, alegorias, fábulas, de animais falantes e até árvores que caminham para que o homem pudesse entender a mensagem, vivê-la e pregá-la. Deus sabia que a comunicação feita através de alegorias com seus significados, nunca sairiam de moda, ao contrário, sabia ele que hoje o mundo seria ampliado por símbolos, logotipos, imagens e ícones. O homem moderno precisa ser cativado pela linguagem análoga que tem uma facilidade de tocar os corações e depois a mente. “Se queres ver o Senhor, olhai os sinais dos tempos”.

Paulo Costa

 

quarta 06 outubro 2010 04:30 , em Catequese:


Programa Momento de Fé Rádio FM2000 - Oração - Parte II


terça 20 julho 2010 13:09


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